Coluna de Jotta Paiva
As traições de um austero
A última gestão do prefeito José Pinheiro Bezerra foi marcada por um adjetivo que refletia, até então, o conceito do homem, em meio à vida política e pública. A palavra "austeridade", usada com freqüência na propaganda governamental do velho médico deveria refletir a posição do gestor como grande cumpridor dos compromissos. Austeridade, de acordo com o dicionário Aurélio significa: qualidade ou caráter de austero, inteireza de caráter; severidade, rigor. Ao ponto que austero, no mesmo dicionário, quer dizer de uma pessoa que tem controle sobre seus apetites ou paixões; sóbrio, sério. De fato, quem é apodiense conheceu o prefeito Pinheiro como um dos políticos que só prometia o que podia cumprir, e cumpria. Porém a austeridade do prefeito, ao qual ele e sua equipe de assessoria se referiam, parece ter ficado no passado, já que não foi a postura usada por ele nos últimos anos. Pinheiro é conhecido hoje como o político das traições, que passou de compromissado para descumpridor da palavra. A primeira vítima foi o ex-vice-prefeito e atual vereador Tibúrcio Marinho. Com o direito de ser reeleito ao lado de Pinheiro, foi substituído pela então vereadora Gorete Pinto, atual vice. Tibúrcio sofreria duas outras decepções: esperava ser eleito presidente da Câmara, e foi escanteado para dar lugar a Arnaldo Costa e agora, convidado a mudar do PMDB para o PPS, corre o risco de ficar sem mandato por infidelidade partidária. Depois veio a traição de Klinger, então secretário de saúde, um dos braços direitos de Pinheiro, que durante muito tempo esperou receber o apoio do médico para a disputar a prefeitura, fato que nunca aconteceu. Romperam e até hoje ninguém sabe ao certo o motivo que Pinheiro teve de fazer tanto drama. Junior Souza, guerreiro permanente, defensor da bandeira de Pinheiro é outro que sabe o gosto da traição. Apesar de ser um dos vereadores mais atuantes e que tem por certa a vitória em todos os pleitos, jamais teve o direito de sonhar com sua candidatura ao executivo. Além disso, tanto ele como os suplentes Laete Oliveira e Eilson Targino, que a exemplo de Tibúrcio trocaram o PMDB pelo PPS a pedido de Pinheiro, também correm o risco de perder suas vagas por infidelidade partidária. Por último, e pulando uma legião, veio à médica Solange Noronha (PR). Essa deu exemplo de compromisso ofertando a presidência do seu partido ao prefeito Pinheiro que nem votou em João Maia, esperando o compromisso, dito e reafirmado muitas vezes, de que ela seria sua candidata. Teve inclusive secretários seus que fizeram juras a esse mero colunista, de que Solange seria o nome do grupo. Apesar de o carro ainda está andando, o que se ouve e vê na rua é que o nome mais aparente é o de Célio, que chegou de pára-quedas no Partido da República. De fato a austeridade do prefeito parece ser fajuta e o único compromisso que ele tem é consigo mesmo. O poder pelo poder, e claro, o seu esporte favorito: zombar da cara dos miseráveis apodienses.
Solange a guerreira
Enquanto um corre esbaforido para consolidar seu nome como pré-candidato a prefeito, a médica continua fazendo o seu trabalho. Engana-se quem pensa que ela desistiu do seu objetivo. Ela só está esperando o momento certo para agir e dar a volta por cima. Coerente, ela deu uma entrevista na rádio Vale cumprindo o seu papel de líder, deixando claro que o que importa é o partido e não os partidários.
A hora da virada
Poucos sabem, mas dentro do grupo hoje "liderado" por Pinheiro, existem muitos insatisfeitos com a provável candidatura de Célio Martins (PR) e devem tomar uma decisão assim que chegar o tempo certo. Lideranças que não se deixam abalar pelo financeiro, afirmam que Solange Noronha terá sim o seu espaço garantido para comandar a guerra pela majoritária. Afinal ela é única liderança de Wilma dentro do PR de Apodi.
Infiéis na mira do partido
Os vereadores e suplentes infiéis de Apodi já estão correndo como podem para se defender da representação do PMDB que querem de volta os cargos. Todos eles já foram intimados e tem muito pouco tempo para apresentarem sua defesa, caso contrário, perderão automaticamente o mandato. De acordo com o processo, pouco eles podem fazer para se livrar da cassação.
Os novos vereadores
Enquanto eles correm para livrar suas cabeças, os suplentes que têm direito ao cargo por permanecerem na sigla de origem, já estão movimentando os pauzinhos para garantir seu ingresso no legislativo. São eles: Geilson Morais e Bobina de Nego Tomaz. Recentemente encontrei com um deles no Fórum Municipal Desembargador Newton Pinto.
Quem pode ser cassado
A representação ao Tribunal Regional Eleitoral pede a cabeça dos vereadores Tibúrcio Marinho e Junior Souza e por gravidade dos suplentes, Laete Oliveira e Eilson Targino. Todos eram filiados ao PMDB e trocaram à sigla, no dia 4 de outubro do ano passado, para ingressar no PPS.
A força do vermelho
Em contato com Fafanta Duarte ele deixou claro que o partido vermelho de Apodi não está separado e que ainda esse mês haverá reunião dos líderes para definir os rumos da campanha. Porém Fanfanta deixou claro que Pinheiro não é bem vindo nesse grupo. Essa situação abre novo racha dentro da ala "situacionista".
Simão e Vandinho
Pelo que pude entender, Simão e Vandinho irão brigar para garantir a manutenção de uma candidatura ao executivo sem a presença de Pinheiro. Simão tem deixado claro na rua que não irá comungar com o grupo do prefeito em hipótese alguma. Os dois líderes da governadora foram vistos algumas vezes juntos a caminho de Natal. Parece que Pinheiro está sobrando.
Situacionistas rachados
Mais uma vez o grupo vermelho entra numa campanha rachado. De um lado Vandinho e Simão, do outro Pinheiro e Solange. Boiando sem rumo Dalton. Pelo andar da carruagem muita coisa ainda vai acontecer, o que pode enfraquecer ainda mais o trajeto do sistema encarnado. A briga pela majoritária está definida, serão todos contra todos.
Gorete continua candidata
Parece que do lado do verde, ao contrário do vermelho, a situação continua instável e crescente. Gorete continua sendo candidata com aval de todo o grupo. Ela garante que não é de imposição e que espera a negociação com outros partidos para definir o rumo da campanha desse ano.
A terceira força
O PC do B continua com muitos quadros internos, mas ainda não definiu quem será o candidato. Porém deixa claro que irá brigar pela cabeça de chapa. O grupo acredita que a população irá reconhecer o bom trabalho desenvolvido pelos seus militantes ao longo da história apodiense. Apesar de estarem acalmados, garantem que têm muitas cartas nas mangas para combater os tradicionais.
[as informações contidas aqui são de inteira responsabilidade do autor, no caso, o jornalista Jotta Paiva]
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