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sexta-feira, 9 de maio de 2008

[leia] Apicultores e pescadores culpam obras

A colônia de pescadores, aqüicultores e afins (Z-48) e a Cooperativa Potiguar de Desenvolvimento Rural Sustentável (COPAPI) divulgam manifesto em defesa da Lagoa do Apodi, considerada de fundamental importância para a economia do município. O documento foi entregue pelo presidente da Coloniza Z48, Francisco Mário de Carvalho, e pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em Brasília.O documento faz um retrospecto dos maiores crimes contra a lagoa. Relacionam quatro investimentos custeados pelo Governo Federal, que ao invés de desenvolver a economia do município, se transformaram em prejuízos para a população, devido a erros de projeto e execução por parte da Prefeitura Municipal.O primeiro é uma passagem molhada, construída pela Prefeitura para permitir o acesso à localidade Urbano, distante 18 quilômetros da sede do município. Esta obra, por ter sido mal projetada, todo ano é destruída parcialmente ou em sua totalidade e o material é todo arrastado pela força das águas para o interior da lagoa.O segundo destaque negativo para a Lagoa do Apodi é o desmatamento no Córrego da Missão, sem nenhuma preocupação ambiental. Neste caso, o assessor de comunicação da Coopapi, Antônio Eron da Costa, destaca a falta de critérios na destruição da mata ciliar, que termina por permitir o aterramento da lagoa.O outro investimento trata-se do projeto de irrigação da Chapada do Apodi, que, apesar dos milhões gastos pelo Governo Federal, nunca funcionou. “Foi a grande contribuição do governo Geraldo Melo para o aterramento das margens da Lagoa do Apodi e que mudou para sempre a paisagem do Balneário, local de encontro das famílias de Apodi nos finais de semana, principalmente”, diz o assessor.
O documento cita o Projeto de Construção de um posto de gasolina dentro das margens da Lagoa, localizada ao lado da BR-405, Km 78, na curva do Cuaçu, onde a obra foi embargada, mais nunca tiraram o material que foi colocado dentro da Lagoa. “É necessário que o Ministério Público Estadual tome providências no sentido que obrigue os agressores a retirarem os entulhos de dentro do lago”, informa o documento.Mas, nem um outro crime foi tão cruel e devastador como o Terminal Turístico (calçadão) patrocinado pelo Governo Federal e encampado como prioridade pela Prefeitura.
O projeto desta obra não respeitou os limites da lagoa. As construções físicas ficaram dentro e apesar de todos os recursos terem sido liberados pelo Governo Federal a obra ainda foi concluída. Com a cheia deste ano, o que havia de alicerce foi destruído. Nesta obra, a Colônia Z 48 e a Coopapi, informa que o Governo Federal liberou duas parcelas, uma de R$ 1,26 milhão no dia 30 de agosto de 2006, e outra de R$ 1,3 milhão no dia 17 de agosto de 2007, sendo que se quer a primeira etapa (calçadão) foi concluída. “Pedimos, pelo menos, que as instituições do Ministério Público Estadual e Federal vejam nossa situação”, cita o assessor Antônio Eron da Costa.

Entidades apontam prejuízos para pescadores, apicultores e artesõesA Coopapi e a Colônia Z48 finalizam o documento entregue a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, especificando os prejuízos dos pescadores, apicultores, produtores de artesanato com palha de carnaúba, entre outros.“Hoje temos um calçadão enterrando as margens da lagoa, com certeza algo pior contra os que dependem da lagoa para sua sobrevivência, alguns setores que precisam da lagoa para sua existência”, diz Francisco Mário de Carvalho.E prejudicando a lagoa está prejudicando a produção do artesanato, que depende da palha de carnaúba para fornecer a matéria-prima para produção de urupemba, vassoura, bolsa, cestos e chapéus, uma herança dos nossos antepassados os índios paiacus.Outro setor prejudicado é a pesca, onde tem uma importância fundamental para o sustento das famílias dos pescadores e também na economia local.E por último o setor da apicultura, que produz mel de abelha em 4.000 mil colméias nas margens da lagoa. Através da Coopapi o mel é comercializado com a Conab, que doa as instituições filantrópicas e escolas em sete municípios da região Oeste.

Fonte: DeFato.com

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