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segunda-feira, 12 de maio de 2008

[leia] Apenas 6 votos separaram a eleição da vereadora Edileuza da suplência de Laete Oliveira

Você conhece Manoel Cleiton Cabral?
Ele foi candidato a vereador em 2004 e obteve apenas 9 votos. De todos os votados foi o que obteve menos votos, mais dois outros candidatos também ficaram apenas com 9 votos.

9 votos é pouco?
Você pode até achar que os 9 votos que o Cleiton tirou foi algo insignificante, mas não foi, muito pelo contrário, eles foram decisivos para que Edileuza Pereira fosse eleita no lugar do suplente Laete Oliveira. É isso mesmo. Você que votou em Cleiton para vereador, acabou elegendo a vereadora Edileuza.

Coeficiente eleitoral
Tudo isso por conta do coeficiente eleitoral, que na eleição passada chegou aos 2.368 votos, ou seja, essa era a quantidade mínima que cada partido ou coligação deveria obter para eleger algum vereador.

Coligação PT/PDT
Mas não foram apenas esses 9 votos que Cleiton obteve que ajudou a vereadora a se eleger. Cada um dos eleitores que votaram nos candidatos do PT também foram decisivos para Edileuza. Os dois partidos fizeram uma coligação na chapa proporcional e se juntos obtivessem algo superior aos 2.368 votos, o mais bem votado seria eleito. E foi o que aconteceu. A coligação PT/PDT obteve 2.373 votos, sendo que dos votados Edileuza ficou com 572 votos e foi eleita.

PT x PDT
Nesse caso o processo foi injusto, mas dentro da lei. Dessa coligação o PT foi o que tirou mais votos, num total de 1302 votos, o PDT ficou com 1071 votos. A diferença é que no PT os votos foram divididos, enquanto que no PDT ficou mais concentrado em Edileuza. Edilson Neto foi o que tirou mais votos no PT, mas obteve apenas 540, 32 a menos que a eleita.

Edileuza x Laete
E o mais interessante nisso tudo é que se o Cleiton não estivesse participando da disputa, ou estivesse filiado a um outro partido que não fosse o PT nem o PDT, o eleito nesse caso seria o suplente Laete Oliveira que fazia parte do PMDB. O PMDB não se coligou com ninguém e recebeu um total de 8.156 votos, que dividido pelo coeficiente eleitoral chega ao número 3,44, ou seja, elegia 3 vereadores e concorria com 0,44 para outra vaga dependendo das outras coligações. Como o PDT não alcançaria o índice mínimo, a vaga ficaria com o PMDB.

Laete x Dagmar
E um outro provável cenário é facilmente montado quando se faz uma pequena modificação, por exemplo, vamos supor que Francisco Mendes (PC do B) tivesse se filiado ao PMDB. A coligação que participou o PCdoB em 2004 foi: PSL/PV/PC do B. A referida coligação obteve 2455 votos e como ficou acima dos 2.368 teve direito a uma vaga, sendo que a mais bem votada dessa coligação foi Dagmar Suassuna com apenas 528 votos. Como supomos que Mendes não teria feito parte dessa coligação, e mais, que estaria no PMDB, o montante de votos diminuiria do lado do PSL/PV/PCdoB e aumentaria do lado do PMDB, e dessa forma eles não alcançariam o coeficiente mínimo, deixando a vaga para o PMDB de Laete Oliveira.

E o que eu quero mostrar com isso?
Quero mostrar que nem sempre o seu voto elege quem você votou. Muitas vezes você ajuda a eleger quem você nem queria. Duvido que aqueles que votaram no Cleiton quisesse eleger Edileuza, ou que o interesse do Mendes fosse eleger Dagmar. Os votos que o Mendes tirou foram de pessoas que acreditavam nele, mas que por tabela elegeram outra pessoa. Laete, sozinho, quase que tirou mais votos que Edileuza e Dagmar juntas, e ficou de fora. Edilson Neto do PT foi mais bem votado que Dagmar, mas os seus votos valeram apenas para eleger Edileuza. Pode até parecer meio confuso, mas essa é a pura verdade. Pense bem, mostre que você não é burro e que sabe votar direito.

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